quinta-feira, 22 de junho de 2017

Ensaio sobre o machismo

Ensaio sobre o machismo

No seguinte é sintetizado o essencial da intervenção proferida pelo professor Fuzil, reconhecido especialista em comportamento humano e também em cozidos à portuguesa, por ocasião da sua participação na conferência intitulada: “O Machismo, feminismo e pataniscas de bacalhau”.

O Professor Fuzil encetou a sua intervenção lançando as seguintes questões: Mas afinal o que é ser machista? Somente os homens que pensam de forma semelhante a uma mulher não são machistas?
As mulheres são um ser que se guia pela intuição, são contudo cautelosas, emotivas, gostam de romantismo e de ser surpreendidas, nomeadamente com oferendas. Refira-se que apesar de invariavelmente sublinharem que qualquer coisinha serve, isto falando de presentes é claro, não se fiem! Fica-lhes atravessado! Mais tarde ou mais cedo, levareis com o troco!
Além disso, têm um particular prazer em utilizar a sua pseudo-fragilidade para levar a água ao seu moinho. Manhosas quanto baste, fazem uso de todos os seus recursos para atingir fins e, amiudes vezes, ainda se fazem passar por vítimas.
Na opinião de alguns destes seres, mais radicais é certo, qualquer homem que fala o que pensa é automaticamente machista! Pouco interessa se tem razão ou não! O facto de pensar fundamenta o rótulo de machista! Depois existe o tradicional argumento da divisão de tarefas. Se o tipo não cozinha, é machista! Se não lava a roupa, é machista! Em alguns casos, o simples facto de existir é por si só suficiente para ser classificado de machista! E por ai fora… Todavia, se a criatura frágil e emotiva nem sequer sabe estrelar um ovo, não tem culpa que não lhe tenham ensinado tão complexa empreitada. Depois, se a tarefa envolver esforço físico, esqueçam! O poço de romantismo faz logo questão de lembrar que isso é coisa de homem! Ou seja, o machismo não mais é que um argumento para salvaguardar o costelado daquilo que não lhe interessa.
Por outro lado, as mulheres insistem em assumir-se como um ser multi-tarefa, ou em Espanhol “multi-task”, ou seja, dizem que conseguem realizar várias tarefas em simultâneo! Ou, calhando não! Por exemplo, enquanto fazem o jantar passam também a blusa a ferro e dão banho aos putos. Resultado típico é saírem à rua com uma marca do ferro na blusa, agarradas a uma sandocha, isto porque o jantar fica que nem uma lapa no fundo do tacho, e os putos normalmente voam pela janela juntamente com a água do banho!
É também bastante comum autodenominar-se de supermulheres, em que o argumento é que além de trabalhar, cuidam da casa, dos filhos, do marido e quando surge a oportunidade, também do vizinho do 2º esquerdo. Contudo, apesar de serem supermulheres, não voam! Isto é claro, excluindo alguns casos, não raros, em que uma simples vassoura as habilita para tal!
Depois, segundo alguns desses seres mais radicais, não existe igualdade de oportunidades no sector laboral. De facto, alguns sectores assim o demonstram, esse é, por exemplo, o caso da construção civil, da metalomecânica pesada e da pesca. Talvez seja melhor criar cotas nestes sectores de forma a garantir a igualdade de oportunidades! Além do mais, já pensaram na igualdade de oportunidades que existe quando um qualquer machista concorre, juntamente com uma jovem de minissaia e peito 36, a um posto de trabalho em que o júri é composto por homens! Pois é… o pobre do machista não tem habilitações para o cargo!
Já agora, o argumento recorrente de que as mulheres não têm igualdade de oportunidades no acesso a cargos de topo, esqueçam! Mulheres oiçam! A selecção para esses cargos, baseia-se numa criteriosa e apertada avaliação de competências, usualmente realizada recorrendo ao evoluído método de decisão “Quem tem o melhor padrinho”, não sendo por isso contabilizadas as unhas de gel ou os pelos no peito.
Assim, termino atrevendo-me a responder às questões que coloquei inicialmente: É de todo óbvio que ser machista, é todo o ser que além de ter miudezas não vive exclusivamente em prol das mulheres, tem o péssimo hábito de não oferecer prendas e pior, ousa pensar e ter convicções.

Entretanto, passou-se à fase em que os participantes na palestra tiveram a oportunidade de colocar algumas questões ao Professor Fuzil.

A primeira questão, colocada pela Dr.ª Miséria, líder da Associação das Mulheres que Acreditam no Pai Natal, foi a seguinte: “Na opinião do Professor, o que motiva os homens a perseguir mulheres com quem não tencionam casar?”.

[Professor Fuzil]    Muito provavelmente será o mesmo impulso que leva os cães a perseguir os carros que não tencionam conduzir...

A segunda questão: “Se o Professor fosse uma mulher vistosa, faria uso do seu aspecto físico para subir na vida?”. Questão colocada pela Dolores de Cotovelo, considerada a mulher mais ressabiada de toda a freguesia e arredores.

[Professor Fuzil]    Pois claro que sim! Se você correspondesse ao tipo de mulher descrita, que não é de todo o caso, e tivesse a oportunidade de angariar um marido abastado, facto pouco provável, não o faria?

Esta última resposta, remeteu para a utilização de cocktails molotov no sentido de dissuadir Dolores de Cotovelo de tomar de assalto o palanque, para, vá-la, espancar o orador, Professor Fuzil.

Acalmados os ânimos, foi colocada uma última questão, esta proferida pelo Sr.º Arnaldo Borracheira, fundador dos Machistas Anónimos: “Tomando por base as conclusões do Professor, pode-se depreender que o machismo não mais é que um mito. Assim sendo, julga que fará sentido a manutenção de um grupo como os Machistas Anónimos?”.


[Professor Fuzil]    Levando em consideração o profundo conhecimento que tenho sobre os membros que formam o grupo, julgo ser mais do que aconselhável a sua manutenção. No entanto, sugiro que a sua designação se aproxime mais da essência dos seus membros. Nesse sentido, uma denominação do género “Parvos Anónimos”, ou só “Os Parvos”, dado que toda gente vos conhece, será mais recomendável.